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Transplante de pulmão será realizado pela primeira vez no Paraná em hospital credenciado pelo SUS
Adicionada: 08/02/2018
 



Oito pacientes em potencial estão sendo preparados pelo Hospital Angelina Caron, de Campina Grande do Sul, para fazer a cirurgia a partir de abril. Em 2017, foram realizados 112 transplantes de pulmão no Brasil



O Paraná é o quinto estado a ter um hospital credenciado para realizar transplantes de pulmão pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O Hospital Angelina Caron, de Campina Grande do Sul, na Região Metropolitana de Curitiba, projeta a primeira cirurgia para ocorrer a partir de abril.

 

Um grupo de 11 pacientes começou a ser avaliado em novembro de 2017 por uma equipe multidisciplinar de pré-transplante. Desses, oito são considerados em potencial e estão sendo preparados para fazer o transplante – que nunca foi feito no estado.

 

No último ano, foram realizados 112 transplantes de pulmão no Brasil.

 

"A preparação bem feita é determinante para ter um bom resultado. Normalmente, são de três a seis meses para isso", afirma a pneumologista Orjana Araújo de Freitas, que integra a equipe do hospital.

 

Ela explica que para o transplante são selecionados pacientes com alto risco de morte e que já esgotaram outras possibilidades.

 

Em média, a sobrevida após a cirurgia é de cinco anos, conforme a pneumologista.

 

"Para quem não tem perspectiva é muito tempo. É a oportunidade, talvez, de ver o neto nascer. Mas tem pacientes que vão mais longe, com boa qualidade de vida", diz.

 

 

À espera

 

Entre os candidatos, está Franciny Tortato Silva, de 19 anos, que mora em Curitiba. Aos dois meses de idade, um teste indicou que ela tinha fibrose cística, doença crônica que danifica os pulmões e o sistema digestivo.

 

"Meu caso é de transplante. Acabou sendo adiado nesse momento porque minha capacidade pulmonar, que era de 25%, deu uma melhorada. Estou usando oxigênio só para dormir. Mas num futuro bem próximo vou ter que fazer", conta.

 

Franciny não faz planos para o futuro – nunca fez. A doença, que chegou a atrasar os estudos, também não permitiu realizar um sonho, que a jovem espera poder colocar em prática depois do transplante.

 

"Quero viajar, ir para Minas Gerais na casa de uns parentes. Eu e minha família nunca conseguimos programar nada a longo prazo. Vivo um dia de cada vez", desabafa.

 

A jovem aprendeu desde cedo a lidar com limitações. Atividades intensas nunca fizeram parte do cotidiano da jovem, que não consegue trabalhar fora de casa.

 

Parte do tempo livre, Franciny usa para pesquisar sobre a doença e novos tratamentos. O espiritismo, segundo ela, também ajuda a entender melhor a própria situação.

 

"Me ajuda a não ficar com raiva muitas vezes. A me aceitar mais, porque se a gente não aceita é pior. Aceitando tudo evolui para poder dar certo. E eu tenho bastante esperança", afirma.

 

São oito medicações diárias, entre enzinas todas as vezes que vai comer e antibióticos para combater bactérias. Além disso, tem as terríveis inalações, conforme a jovem.

 

"É chato, demora e tem que ficar eliminando secreções. Mas é necessário", aponta.

 

 

Rede de transplantes

 

Conforme o Ministério da Saúde, apesar do transplante de pulmão ser oferecido em apenas cinco estados, não inviabiliza que pessoas de todo o país sejam atendidas, uma vez que a lista de espera é única.

 

O SUS conta com o maior sistema público de transplantes de órgãos do mundo, segundo a pasta. No Brasil, 87% dos transplantes de órgãos são feitos pelo SUS.

 

A rede brasileira conta com 27 centrais estaduais de transplantes, 13 câmaras técnicas nacionais, 494 hospitais cadastrados e 1.244 equipes habilitada. Além disso, existem 70 organizações de procura de órgãos e 62 bancos de tecidos.

 


Preparação

 

Segundo a pneumologista, muitos pacientes que aguardam por um transplante chegam para as avaliações abaixo do peso, que é preciso recuperar, assim como fazer preparação muscular, visto que a estrutura física é importante para o pós-operatório.

 

 

"Também avaliamos o perfil psicológico e social. É uma mudança grande de vida", diz Orjana. Em geral, os candidatos são pessoas com enfisema pulmonar, fibrose pulmonar, fibrose cística, hipertensão pulmonar ou com alguma doença rara.

 

Do preparo ao pós-operatório, o transplante – que dura cerca de 10 horas – exige procedimentos complexos. A compatibilidade entre doador e paciente, por exemplo, depende até do porte físico. "É preciso se atentar a cada detalhe para que dê certo", indica.



Fonte: G1 PR | Foto: Arquivo Pessoal
 

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